Nosso caminho pra roça!

Oioioi! Pode chegar, se aprochegue e vem com a gente porque chegou um novo mês e com ele a hora de mais uma lista da nossa curadoria de jogos!

Dessa vez, nos deixamos envolver com a temática especial de junho que tanto gostamos. Cheia de quentinho ou seria quentão? Pois é, pensando nas festas juninas, arraial, quadrilha e delícias típicas dessa época do ano, vamos falar agora sobre os jogos que nos levam para o caminho da roça. Será que você acerta algum dos que trouxemos?

Esperamos que aproveite, se divirta e dance na quadrilha com a gente! 🙂


Quem disse que a vida no campo é calmaria?

Agrícola não poderia ficar de fora dessa lista junina! A vida no campo não é fácil, em Agrícola você é literalmente uma fazendeira que começa o jogo num casebre simples de madeira com seu cônjuge. Ambos simbolizam os 2 trabalhadores iniciais que você terá para realizar as ações. O lance é desenvolver a sua fazenda: criar animais (com direito a lindos meeples de madeira de ovelhas, porcos e vacas), coletar argila, madeira ou pedra, construir cercas para seus animais; e assim por diante. É um jogaço de alocação de trabalhadores, no qual os jogadores tentam pontuar desenvolvendo as suas fazendas por meio de plantações, de melhorias em suas construções, criando animais etc. Agrícola é um euro médio para pesado, com peso 3,64 no BGG.

Na edição de outubro de 2019 da Jogamana, fui apresentada para a vida na roça pela mana Paula Bassi, que me ensinou as regras do jogo! Confesso que perdi porque me apeguei às minhas ovelhinhas e esqueci do resto!

Saudade de um encontro, hein! Lembranças de um da JogaMana com Agrícola


Abra a porteira dos negócios rurais!

Começando daqui, o caminho da roça será looongo até chegarmos “At the Gates of Loyang”. Mas a viagem vale muito a pena! Um jogo típico sobre produção e comércio de commodities, para quem adora uma gestão de fazendinha – e, é claro, mini-legumes de madeirinha que são uma fofura! Para quem souber cultivar pontos e abóboras, a vitória será certa e o clima de festa junina pode complementar a jogatina com um belo doce de abóbora caseiro. Hmmmm!

Foto retirada da Ludopedia


Deus ajuda quem cedo madruga!

Uwe Rosenberg que me perdoe, mas ao pensar em um jogo para essa lista me dei conta de que raros foram os jogos de fazendinha que joguei! :O O primeiro que me veio à mente foi o aclamado por tantos e queridíssimo por mim Clãs da Caledônia e sua viagem magnífica que nos leva à Escócia do século XIX. Mas como acabei finalmente jogando Oh My Goods! esses dias e está mais fresco na memória, este será minha recomendação da vez.

Em Oh My Goods!, tudo o que temos é uma caixa pequena, cartas e um mundo de possibilidades na hora de construir a maquininha de pontos, representados também pelos produtos que produzimos. Nele, ambientado em Longsdale, no fim da Idade Média, somos responsáveis pela produção de bens do começou ao fim, cada um no seu quadrado (ou fazenda, no caso).

Tem várias coisas nele que me atraem, mas destacarei por ora a combinação entre estratégia e sorte que acontece durante a partida, me permitindo escolher quando arriscar (e produzir mais ou NADA!) ou em ser mais segura e ter mais chance de produzir, menos mas produzir ainda assim.

Mesmo não tendo as adoráveis miniaturas ou tokens de bichinhos dos jogos mais fisicamente elaborados e cheios de componentes, o considero um excelente representante que me leva ao caminho da roça por muitas e muitas vezes seguidas!


Pets para esquecer de vez da vida na cidade

A tentação de falar de Agrícola foi grande demais! Porém, como eu já escolhi este queridíssimo em outra lista temática, resolvi trazer um jogo que está para entrar no financiamento coletivo. Estou falando do Pets, criado por Marcos Macri (Dogs, Chaparral, Jester, entre outros). A convite da MS Jogos, participamos de um gameplay desse jogo fofo, porém estratégico, que com certeza vai te levar para um simpático campo repleto de pôneis, gatos, patos, cachorros e coelhos, tartarugas, peixes e passarinhos. Porém, para quem pensa que a vida no campo é sossegada, alto lá! É preciso cuidar de seus bichinhos, dar carinho, brincadeira e um ambiente adequado para viver. No seu turno, você deve escolher um Pet para sua fazendinha e um dado que determinará a sua ação no turno. As ações possíveis envolvem Tomar Sol, Alimentar, Cuidar, Brincar, Dormir e Reproduzir. Pets é um jogo leve como uma brisa no campo, mas que requer estratégia para escolher o posicionamento dos animais, qual ação escolher e qual carta extra usar. Uma excelente pedida tanto para uma jogatina em família quanto para quem está a fim de um euro leve ou de entrada na coleção. A única dificuldade em Pets será resistir ao súbito desejo de largar a vida na cidade grande para ir cuidar de animais fofos numa fazendinha distante e bucólica.


Mulheres nos jogos #14: o que Pandemic e Azul têm em comum?

Toda sexta-feira, a JogaMana celebra no Instagram (@joga_mana) mulheres que atuam em diversas frentes do mercado dos jogos de tabuleiro! Acho que não seria exagero dizer que já devemos contar com o maior acervo de publicações sobre mulheres no mundo dos jogos! Nosso intuito é mostrar para as pessoas que há muita mulher envolvida nas mais diversas frentes, seja como game designer, ilustradora, editora, empresária, tradutora, produtora de conteúdo, enfim, não há limites para nós!

Confira abaixo a décima quarta parte – nesta edição, apresentamos 1 mulher! Porque a canadense Sophie Gravel manja demais de jogos e suas mãos estão em jogos consagradíssimos! É preciso entender o destaque que essa mulher merece!

Você sabe dizer, por exemplo, o que Pandemic e Azul têm em comum? Dá uma lida aqui para descobrir!

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8Nona parte #9décima parte #10décima primeira parte #11décima segunda parte #12 e décima terceira parte #13.

Sophie Gravel

A canadense Sophie Gravel é fundadora da editora Plan B Games, tendo incorporado no grupo também Next Move, Pretzel Games e Eggertspiele.

Com certeza o jogo mais popular da editora é o belíssimo Azul, que vendeu mais de 2 milhões de cópias ao redor do mundo e está disponível em 35 idiomas! E as sequências super queridinhas: Azul, Vitrais de Sintra e Azul, Summer Pavilion. O grupo também publicou Century Spice Road, Junk Art, entre muitos outros títulos.

Fotos acima: do Azul do blog Just the three of us, do Vitrais de Sintra, do Mercado Livre e do Summer Pavilion, do Moussecafe.ca

Sophie Gravel também é CEO da Z-Man Games, que conta com publicações de peso como Pandemic, tendo Gravel se envolvido bastante e bem de perto do desenvolvimento do Pandemic Legacy Season 1 e 2, conforme revelado para o site teilzeithelden.de.

Nessa entrevista, ela também fala sobre a importância do desenvolvimento e da edição de um jogo para que ele tenha sucesso com o público, citando, por exemplo, Aquarium, jogo que considera excelente em termos de mecânica, com uma arte linda, mas que no entanto, não condiz com o público alvo do jogo, o que causou seu fracasso.

Cita ainda Exxtra, um jogo simples, mas muito bom do Knizia, que ao adicionar um tema e renomeá-lo pra Excape, também fez com que não desse muito certo. Só uma pessoa muito confiante na qualidade do seu trabalho e que carrega títulos premiadíssimos e de grande sucesso mundial para assumir abertamente erros e acertos!

Ela ainda fez afirmações sobre a edição de jogos que no mínimo deve nos fazer refletir sobre o que realmente queremos num jogo quando o adquirimos. Gravel diz que como editora, quando joga, precisa ser capaz de perceber o que gosta, mas também o que vai vender bem – e que claro, essas coisas nem sempre coincidem. Para chegar nessas percepções, segundo Gravel, é preciso estar afiada, em constante prática: “se você não desenhar por 20 anos, seus desenhos parecerão os de uma criança de cinco anos. E assim é com o reconhecimento de jogos bons e promissores”.

Você pode ter visto esse nome recentemente na mídia devido à aquisição da editora Plan B Games pela gigante Asmodee, que aconteceu em março deste ano.

Meu caminho de desconexão com o Hobby

A verdade é que o texto de hoje será mais um desabafo e reflexão sobre o hobby do que qualquer outra coisa. Eu até cheguei a escrever uma resenha de um jogo (que posso trazer em um outro momento), mas tenho percebido que algumas coisas dentro do nosso tão querido hobby têm me deixado bem desestimulada. Não sei ao certo onde chegarei com essa reflexão, então suponho que será uma viagem bem maluca e possivelmente profunda. Te convido a vir comigo, se quiser. Será bom ter uma companhia pelo caminho!

Eu sou do tipo de entusiasta que se envolve bastante com as coisas que me apaixono. Não à toa, hoje faço parte da organização de duas iniciativas, dentro do universo de jogos de mesa, que surgiram justamente para balançar esse hobby no Brasil: a JogaMana, que promove encontros mensais exclusivos para mulheres jogarem e que produz bastante conteúdo com uma linha bem crítica voltada a temas sociais e políticos no hobby; e a Liga Brasileira de Mulheres Tabuleiristas, que surgiu com a proposta de fomentar iniciativas de mulheres e ser um espaço seguro de conexão entre nós. Fazer parte dessas iniciativas já diz muito sobre algumas estratégias que eu encontro para me conectar e pertencer: ir atrás de espaços que percebo terem lugar para mim também; e olhar ao meu redor e perceber que o espaço reflete, em algum nível, sobre quem eu sou.

Só que tem vezes que essas estratégias são um pouco confusas e o meio passa a ter um poder tão absurdo que chega a quase beirar o absoluto. E quando dou por mim, corro o risco de olhar ao meu redor e identificar coisas que já não fazem mais sentido para a minha vida, mas que eu estou fazendo quase que sem querer, sem muita presença e intenção. E acho que é exatamente isso que está acontecendo com o universo dos jogos de mesa para mim.

Arrisco dizer que começou quando eu fiquei com vontade de criar um canal no youtube para gravar vídeos sobre jogos. Eu percebi que absolutamente todos os canais que tive acesso até hoje (seja youtube ou instagram) têm necessariamente um fundo com uma prateleira cheia de jogos sendo apresentada. Daquelas lindíssimas, extremamente organizadas, que dá um baita gosto de ver. Só que esse gosto de ver acabou me gerando também uma vontade em TER. Mesmo sem precisar, mesmo sem isso definir absolutamente nada sobre meu envolvimento com o hobby. Fato é que aquele “sonho da prateleira linda de jogos” passa a surgir sem que eu tenha de fato controle sobre. E quando dou por mim, estou comprando jogos sem muito critério e criando minha própria obra de arte no armário do escritório que fica, por vezes, intacta.

Estou falando de mim por ser a única e exclusiva certeza que posso trazer nessa reflexão. Eu só posso falar com propriedade sobre o que vivo e sinto. Só que, talvez por eu ser muito observadora, eu fui identificando nas pessoas padrões para além da prateleira perfeita. Fui identificando padrões de consumo, da necessidade em conhecer todos os jogos que existem, de se provar para mostrar que entende do que está falando, de mesmo reclamando sobre erros de produção de editoras ainda escolher “pagar para ver”, de postar sempre sobre jogos novos e inéditos, de querer estar por dentro de tudo e de ter tudo, de tirar foto da sua coleção e dizer “eu sei que tem pouco, mas…”. Enfim, a lista é quase infinita. E eu fui percebendo que tudo isso é praticamente um fenômeno no nosso hobby e que não vejo as pessoas falarem muito sobre, apesar de praticamente todas elas alimentarem esse “monstrinho”, mas talvez por nem se darem conta disso tudo. E é sobre isso que vou escrever hoje.

Recentemente, aconteceu mais um causo de uma editora famosa lançar um jogo com inúmeras falhas de produção. E em um grupo de vendas e trocas que faço parte vi uma pessoa querendo trocar seu jogo português lacrado (e com falhas) por um inglês aberto (sem falhas). Está entre parênteses porque a pessoa não ofertou assim, claro. A troca parecia ser boa, talvez até seja mesmo. Mas o que mais achei curioso da situação é que me pareceu que a pessoa estava fazendo isso porque estava extremamente frustrada ao saber que, mais uma vez, a editora havia “falhado” e entregue um produto supostamente inferior, cheio de erros. E, como ela ainda queria muito ter o jogo, a forma que a pessoa escolheu de resolver a questão foi a de fazer essa troca.

Outras pessoas no grupo começaram a falar sobre isso também, questionar essa escolha e falar sobre outras opções, como devolver o jogo e receber o dinheiro de volta. Percebi que existiu um movimento dessas pessoas de questionar o que talvez poderia ser mais vantajoso para melhorar nosso hobby como um todo. A conversa foi tranquila, sem muitas faíscas e, enquanto observadora, ficou evidente para mim o reflexo do tal fenômeno que tem acontecido. Vamos a ele: a pessoa que estava querendo realizar a troca já estava há um tempo descontente com a Editora, já sabia de vários erros passados e não foi pega de surpresa. Tanto que uma das coisas que disse para justificar ter comprado o jogo mesmo assim foi que escolheu “pagar para ver” por ficar com receio do jogo esgotar e ficar sem. Dá para começar a perceber o fenômeno?

O medo de ficar sem é tão maior e mais forte que chega a ser suficiente para a pessoa arriscar a sua própria grana (que sabemos bem não ser pouca na esmagadora maioria dos casos de novos lançamentos!) sabendo que teria grandes chances de se frustrar com o próprio investimento. Não posso dizer com segurança, mas me deu a impressão de que nem foi considerada a opção de simplesmente esperar o tal do hype passar e comprar mais tarde, quando estivesse mais segura de que receberia o que estava comprando. Mesmo sabendo dos riscos, do potencial enorme de frustração, do investimento alto, mesmo assim comprar foi mais forte do que esperar. E olha que nem estou falando no oposto, hein, que seria o “não comprar”. Estou apenas dizendo em esperar.

Esperar iria provavelmente fazer com que a pessoa ficasse mais realizada ao comprar seu jogo no futuro. Só que como o risco de se frustrar por ficar sem talvez fosse muito maior, e ter é mais importante do que não ter (minha conjectura aqui sobre o fenômeno), a pessoa escolheu “pagar para ver”. A reflexão aqui não é julgar fulaninho A nem B que escolhe comprar ou o que reclama e continua comprando ou o que não compra. Isso para mim é somente reflexo de algo mais profundo. O que fico refletindo é sobre essas escolhas que seguem sendo feitas todos os dias e no impacto que isso vai gerando nas pessoas e, automaticamente, na comunidade, e, consequentemente, em mim. E volto para aquele tal sonho longínquo da prateleira perfeita que construí sem perceber. Percebe? Ninguém me disse que eu preciso disso, ninguém falou que sem isso eu não sou tão fã de jogos assim. Até hoje não tive acesso a nenhuma regra que devo seguir para poder dizer que faço parte do meio de jogos de mesa, mas, ainda assim…parece existir.

Arrisco dizer que talvez seja porque para todo canto que eu olho eu sigo vendo essa prateleira perfeita. Ou a novidade da semana. Ou a resenha tradicional dicotômica do bom x ruim. Ou seja, parece que são raras as ocasiões em que eu encontro algo diferente por aí. Algo mais livre, mais solto, mais…divertido. E o hobby que vem com o propósito de leveza e descontração começa a virar um meio de cobrança, exigências, riscos e frustrações que são passadas através de mensagens nunca expressas. Parece que consumir esses conteúdos para ficar por dentro do que está rolando é me perder ainda mais nessa bagunça generalizada que não tem mais relação comigo e que, hoje em dia, me desconecta quase que automaticamente.

Como falei no começo do texto, eu realmente não sei onde quero chegar com essa reflexão. Acredito que a escolha de escrever sobre isso foi simplesmente porque eu tenho perdido muito a vontade de escrever sobre qualquer coisa dentro desse universo. Produzir conteúdo nesse meio tem também me desconectado muito do hobby e tenho parado de escrever sobre vários temas importantes para mim. Uns tempos atrás, por exemplo, eu cheguei a começar rascunhar um texto sobre algumas questões que o tão hypado e aclamado jogo Brazil me trouxe, mas por não serem muito gostosas e irem totalmente contra o fluxo, acabei desencanando. Pensei que seria uma oportunidade para surgirem mais faíscas do que eu realmente quero e busco: uma troca genuína e conexão.

Então, talvez meu texto de hoje seja uma fresta de uma nova janela de respiro e inspiração que se abre para mim. Talvez, ele seja uma forma de eu continuar encontrando razão para escrever sobre jogos, para fazer parte dessa comunidade produzindo conteúdo. Ou talvez, seja mais uma despedida, sei lá e nem importa tanto. Me parece que a cada dia que passa eu tenho preferido só jogar mesmo, e está tudo bem. Eu posso seguir escolhendo apenas trocar sobre temas que importam para mim com meus pares, nos bastidores mesmo.

Quem sabe as coisas mudem para mim. Quem sabe as coisas possam mudar também no hobby. Torço para que sim, já que amo esses momentos em que paro para escrever sobre o que sou apaixonada e curto muitíssimo as trocas que surgem a partir disso. E quem sabe eu não siga tão sozinha assim. Como disse, será maravilhoso ter companhia no caminho.

Um beijo carinhoso, e agradeço ter ficado até aqui!

Nanda

Mulheres nos jogos #13

Toda sexta-feira, a JogaMana celebra no Instagram (@joga_mana) mulheres que atuam em diversas frentes no mercado dos jogos de tabuleiro! Confira abaixo um compilado com a décima terceira parte – nesta edição, apresentamos 3 game designers que sacodem o mundo dos jogos! Mulheres que tiveram o reconhecimento através de premiações diversas! Inclusive, uma israelense com uma história de vida incrível e trabalhos espetaculares!

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8Nona parte #9décima parte #10décima primeira parte #11 e décima segunda parte #12.

Maureen Hiron é uma designer de jogos britânica que foi longe na criatividade! Juntou ficção científica, tabuleiro, dados e um tom cômico para criar Cosmic Cows!
Apesar do tema ser espacial, acho que podemos considerá-lo inusitado. Sim, eu sei que existem vários jogos espaciais e alguns julgam o tema até batido demais, porém aqui, é diferente do que normalmente vemos por aí, trata-se de um concurso anual de extraterrestre de abdução de vacas! Quem abduzir 3 vacas primeiro levará a vitória. Ainda acha o tema espacial esgotado? Essa é a prova de que há diversas possibilidades a serem exploradas dentro de uma mesma temática!

Em Cosmic Cows, você joga diferentes combinações nos dados para escolher qual raio trator usar para abduzir as vacas. Quase um cabo de guerra alienígena, porque cada uma vai tentando puxar as vacas para sua nave!

Ora Coster é israelense, game designer, empresária e simplesmente uma das pessoas mais incríveis do mundo dos jogos!
Ora, junto ao esposo Theo Coster, fundou em Tel Aviv, em 1965, a Theora Design, destaque no cenário mundial em invenção e desenvolvimento de jogos, brinquedos, jogos eletrônicos e muito mais! A empresa desse casal sensacional criou e licenciou mais de 160 conceitos de brinquedos, jogos, artesanato e novidades em todo o mundo, conhecidos inclusive pelo grande talento para encontrar diversão em conceitos e jogos simples e acessíveis.

Guess Who? (Hasbro), Play-On-Wordz (Hasbro), Number Rumba (Mattel), Magimixer (Orda), Zingo & Smart Mouth (Think Fun), Spearoscope (Spear’s), Stackrobats (Ravensburger), Finger Ball (Ideal), Disney Bingo Link (Jumbo), GYRO MAZE – (Kenner), Quips (Ravensburger) e One Too Many (Waddington’s) são alguns exemplos de jogos em que a Ora participou ou da criação ou do desenvolvimento ou ambos! Muitos desses jogos se tornaram perenes e estão no mercado por mais de 40 anos.

Além disso, Ora e Theo participam de um programa de mentoria de fazer inveja! Olha só, há um programa para criadores de jogos, a Toy Invention Program, no Shenkar College e o ponto alto do programa é o inspirador e motivador encontro com os Costers! Quer saber mais sobre Ora e sua família? Dê uma olhada aqui, vale muito apena! Ficamos impressionadas com cada detalhe dessa história sensacional que envolve inclusive nazismo. No BGG, há também muita informação sobre o casal Coster, super importantes para Israel e para o mundo todo.

Michelle Schanen é uma game designer super premiada! Com “Spooky Stairs”, um inteligente e divertido jogo infantil de fantasma, levou alguns dos prêmios mais importantes do mundo, por exemplo, o Spiel des Jahres Kinderspiel, o alemão famosão, no mesmo ano levou o Japan Boardgame Prize Best Childgame, no ano seguinte, venceu o principal prêmio norueguês para jogos infantis, o Årets Spill Best Children’s Game, o Vuoden Peli Children’s Game of the Year, na Austrália e por aí vai!

O jogo veio para o Brasil pela Devir e você o encontra nas lojas brasileiras como “As escadas assombradas”. A idade é 4+! Bora inserir as maninhas nas jogas?

Espero que tenham gostado dessa seleção de mulheres no mundo dos jogos. Já conhecia alguma delas? Conta para gente!

A primeira vez a gente nunca esquece!

Chegou a hora de mais uma lista do mês da nossa curadoria de jogos!

Dessa vez, o tema escolhido foi o primeiro jogo moderno que jogamos. Foi uma viagem gostosa revisitar como nosso amor pelo hobby começou, bem antes da existência da JogaMana, e como aquele tal jogo pôde acender algo em nós que, na época, não fazíamos ideia da força que teria!

Esperamos que aproveite, se divirta e viaje com a gente nessa! 🙂


Acho que todo mundo sabe que a primeira vez precisa acontecer aos poucos, né?

Fui sendo preparada para os jogos de tabuleiro modernos durante várias experiências desde a infância. Dama, xadrez, ludo, pega vareta, uno, rouba-monte, batalha naval, war, dominó e muito baralho (buraco), especialmente com a minha avó. Sempre gostei de jogar.

Conheci Zombicide através de um amigo e achei o jogo diferente do que eu conhecia, mais elaborado e estratégico do que War, apesar dos dados. As miniaturas, as cartas, as missões conferem uma experiência mais elaborada, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato do jogo ser cooperativo. No mesmo final de semana, jogamos os parties Revanche e Coup! Ainda nos aventuramos no Pandemic que também me marcou bastante. Saímos da casa desse amigo empenhados em conhecer mais sobre jogos de tabuleiro, descobrimos a Ludopedia e fomos atrás do primeiro lugar do seu ranking: Terra Mystica e foi aí que o gosto pelos jogos se transformou em hobby! 


Não, esse não foi o primeiro jogo “moderno” que vi na mesa. Mas creio que foi uma virada de chave na minha relação com jogos e no meu entendimento do porquê de fazer deles um hobby, um hábito pra compartilhar.

Desde a infância, jogo Xadrez e cartas. Antes do Pandemic, também já tinha jogado Coup, Dixit, “No, Thanks!”, além de quase tudo o que havia naquele limbo entre jogo e “brinquedo”: War, Interpol, Detetive, Uno, um de cada tipo. Me divertia, é verdade, mas Pandemic foi o primeiro jogo moderno que me mostrou algo que eu acho bem melhor que a diversão de interagir: um desafio. Na verdade, um conjunto deles. Era o primeiro jogo que eu via reunir cooperação, estratégia, e uma abordagem temática mais comprometida do que “deixar que a sorte diga o que acontece”. Ao mesmo tempo, aprendê-lo era acessível a uma pessoa que, até então, não tinha ido além da camada mais superficial desse universo. Tudo ficou mais instigante e inspirador pelo fato de o jogo ter sido apresentado a mim por uma pessoa amada, e jogado numa mesa só de gente que eu amo. Abri a porta da curiosidade e não teve mais volta.


Como acredito ter acontecido com muita gente do hobby, eu comecei a jogar quando era muito pequenina, tendo sempre muito destaque na minha vida o bom e velho baralho. Quando eu tinha uns 6 anos, fui apresentada ao CanCan (que hoje é mais conhecido como UNO) e provavelmente ele foi o primeirão dos modernos a qual tive acesso. Mas resolvi falar do primeiro que realmente me despertou para um outro lado dos jogos de mesa que eu nunca havia visto antes e é, até hoje, um jogo bem nostálgico para mim e, para minha surpresa, pouquíssimo falado no hobby.

Jogo do queridíssimo Reiner Knizia, Keltis me encantou por trazer mais estratégia do que sorte nos jogos de tabuleiro, e ainda de uma forma simples e dinâmica. A ideia central é conseguir mais pontos escolhendo sabiamente as trilhas que vai querer percorrer. Só tomando cuidado para não atirar para todos os lados e acabar não andando em nenhuma e perder pontos com isso. É um jogo bem família e tive o prazer de jogá-lo na época do seu lançamento lá na Alemanha. Minha amiga me explicou que ele havia sido premiado e estava sendo um sucesso em todas as casas alemãs. E realmente era: na casa dela a gente o jogou todas as noites em que fiquei por lá.

Infelizmente, eu nunca o encontrei para vender aqui por um preço amigável, ele é bem raro de encontrar, e suspeito que é porque ele foi uma “releitura” do Lost Cities (também do Knizia e bem mais conhecido). Hoje tenho Lost Cities mesmo e serve de consolo, mas fato é que não tem a nostalgia e o carinho que o Keltis me oferece. Mas não desistirei, um dia terei meu amado Keltis na coleção!


Crescendo no interior do estado de São Paulo, lembro de duas recorrências em minha vida relacionadas a jogos de tabuleiro.

A primeira era quando meus dois irmãos mais velhos juntavam seus amigos para jogar RPG em casa e não me deixavam participar. Minhas amiguinhas também não tinham interesse naquele jogo repleto de fantasias e monstros. Mais tarde, já na minha adolescência, o segundo fato era como as pessoas não apreciavam tanto jogar War ou Banco Imobiliário quanto eu. Sempre havia aquela reclamação de que era demorado demais, chato demais, etc. De certa forma, elas tinham razão. Ainda assim,  eu ainda sentia o desejo de me adentrar mais no mundo daqueles jogos, só não sabia como.

Foi só bem mais tarde, já adulta, que um casal de amigos veio ficar em casa uns dias e trouxe Catan. O jogo me deu aquela sensação boa de nostalgia de assistir às campanhas de RPG dos meus irmãos, ao mesmo tempo que finalmente eu entendia como os board games poderiam ser de fato divertidos para todos sem demorar tantas horas uma partida.

Acho que Catan foi “a primeira vez” de muitas no hobby e isso tem sua razão de ser, pois trata-se de um jogo que alia uma boa dose de estratégia com sorte, engajando desde o iniciante até o mais experiente. Depois disso, não teve mais volta: Bang!, 7 Wonders, Potion Explosion, Fluxx, cada um com seu jeitinho foi me conquistando ao longo das partidas. Hoje, só posso me dizer grata ao casal de amigos que ficaram em casa aquela vez, trazendo não apenas uma diversão para a noite, mas abrindo as portas para esse mundo dos jogos de tabuleiro modernos que tanto nos apaixona a cada dia.


Será que algum jogo da lista coincidiu com o seu? Conta para a gente nos comentários qual foi seu primeiro jogo no hobby, vamos adorar saber!

Um jogo que te conquista pelo ronronar!

Gosta de Tetris? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de jogos família? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de Board Games com estratégia gostosinha? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de Gatos? Gosta de Ilhas? Gosta de pecinhas de madeira? Calma, que tem para todo mundo! 

Se este jogo fosse um gato, ele certamente seria aquele preguiçoso deitado no sol, curtindo a vida e encantando todos que passam por ele, mas sem se esforçar demais para isso. O típico gatinho que inspira músicas como aquele do Skank “Te ver e não te querer é como (…) ver um bichano pelo chão e não sorrir”. 

Se não bastasse a linda arte e os componentes de excelente qualidade, A Ilha dos Gatos atrai pela simplicidade de regras e pelas possibilidades trazidas pela versão família e pela versão solo para os mais fãs mais hardcore. Se eu ainda tenho que falar de mecânicas para te convencer, eu diria que trata-se de um quebra-cabeças arrojado, com uma temática fofíssima e um toque de coleção de peças.

Precisa de mais? Dá uma sacada nas regras do jogo no vídeo abaixo e embarque nessa aventura repleta de felinos, tesouros, exércitos do mal e muita fofura para toda a família.

A potência do coração da Montanha

In the Hall of the Mountain King – ou apenas “Mountain King”, para as chegadas – é um jogo profundo: a cada partida, a fim de retomar o espaço e reconstruir a brilhante sociedade que um dia nos foi invadida, saqueada e devastada, tentamos provar nossa força escavando túneis cujas duras paredes nos aproximam do coração da Montanha, e enaltecer nossa sabedoria construindo templos e estátuas para a memória de nosso povo, nomeando um Rei para representá-lo por mérito. Quem somos? Trabalhadoras cuja força, a honra e o valor há muito são desmerecidos por aqueles que dominam a História. Não se espante: somos TROLLS!

Imagem retirada da campanha de “In the hall of the Mountain King” no Kickstarter

Assim poderia ser apresentado algum jogo do mais respeitável escalão Ameritosco*, carregado de referências clássicas à Fantasia nórdica, com motivos aventurescos, e uma jornada heróica a ser traçada por Honra. Mas não! Ao abrir a caixa do jogo, nada de miniaturas de personagens. Ao invés disso, (exceto na versão Deluxe, que acabou apelando um pouco mais pro trash), lindas estatuetas conceituais de madeira em tons pastel, cartas, cartinhas e cartonas, um belo tabuleiro de arte simples e, é claro, os clássicos cubos de madeira representando recursos básicos: pedra, ferro e heartstone.

Da esquerda para a direita: alguns dos recursos (ferro – cubos pretos; heartstone – cubos vermelhos; carrinhos para transportar estátuas – carrinhos marrons); cartas de feitiço; cartas de trolls disponíveis para recrutamento. Sobre alguns deles, recursos (cubo cinza = pedra) ou pedestais para estátuas (em azul, laranja, branco ou trio-de-cores).

Típico eurojogo nas mecânicas centrais – coletar e acumular recursos, construir uma economia (a famosa “maquininha de gerar/multiplicar recursos”) e empreender construções -, Mountain King envolve ainda um belo Tetris temático, que são os túneis abertos onde as principais obras – templos e estátuas – de sua sociedade em reascensão serão erguidas. Os Trolls que fazem todo o trabalho são, como é de praxe em eurojogos, “personagens abstratos”, isto é, nada de nome próprio, narrativa pessoal nem poder especial. Cada jogadora opera, na verdade, toda uma horda, que já inicia com 4 trabalhadores e vai crescendo conforme novos trolls, ao acesso de todas na partida, são recrutados. A diferença entre eles é o tipo e a quantidade de recurso que são capazes de gerar com seu trabalho – e daí a maquininha, isto é, a economia em Mountain King funciona.

Fiquei encantada jogando em 2, 3 e 4 jogadoras. Quanto mais, mais o aspecto competitivo fica manifesto, já que os túneis que escavamos são um controle de área. Também por outro elemento: há “feitiços” em jogo que propiciam a possibilidade de alguma vantagem, que pode ser reivindicada até 3 vezes ao todo (não importando se a reivindicadora varia ou se repete), ao fim do quê o feitiço “esgotado” é substituído, garantindo uma competição ferrenha – mas ainda bastante longe de envolver algum aspecto Sorte.

ocoração da Montanha, estátuas disponíveis, túneis disponíveis (Tetris em amarelo), “templos” disponíveis (no canto direito. São halls, ah, também são templos na temática)
Olha como as estátuas ficam lindinhas em pedestais!

Nas 5 partidas que joguei até agora, os placares foram sempre próximos. Às vezes, coisa de 1 ou 2 pontos de diferença. Um ótimo sinal para quem pira num balanceamento pró-simetria. Vale a pena se aventurar!

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*Referência à categoria de jogos conhecida como Ameritrash. De uns tempos pra cá, há quem venha chamando a categoria de “Escola Americana”, entre outras razões, para evitar ruídos de interpretação da expressão “trash”. “Trash”, do inglês, pode ser uma tradução literal para “lixo”. No entanto, no caso dos jogos, geralmente se refere a um imaginário de aventura e confronto, em que a Sorte pode mudar o destino. Eu, pessoalmente, acho avacalhado pra chuchu que isso tenha virado polêmica em algum lugar. Uai, contar com a sorte não é trash? De toda maneira, a fim de promover termos brazuca pro vocabulário tabuleirista ficar mais compreensível por essas bandas, apelo para uma livre tradução. Uma que seja autêntica. Proponho “Ameritosco”.

The Castles of Tuscany ou 50 tons de verde parte 2?

Já adianto que vai bem com vinho!

Acho que toda(o) boardgamer já se viu diante da necessidade de achar um bom jogo de entrada, estratégico, com mecânicas diversas, tema envolvente, que reflita a sofisticação de um bom jogo de tabuleiro moderno para inserir pessoas no hobby, certo? Castles of Tuscany é esse jogo!

Ambientado na Toscana do século XV, aqui você se torna uma influente nobre tentando levar essa região à prosperidade e assim aumentar sua fortuna e prestígio, e claro, conquistar pontos de vitória!

O jogo

O jogo tem a duração de 3 rodadas, cada jogadora terá 22 tiles hexagonais, sendo um castelo dupla face, que já deve ser alocado em um lugar verde escuro deu seu tabuleiro de região e as 21 demais (de cidade, povoado, agricultura, carroça, monastério, pedreira, forte e hospedaria) serão divididas em 3 pilhas no tabuleiro de jogador. São essas pilhas que marcam a duração da partida. Toda vez que você pegar uma tile da mesa e colocar em seu tabuleiro de jogadora, você deve repor a mesa com uma tile da sua pilha, sempre respeitando a ordem das pilhas numeradas (1, 2 e 3).  

A primeira jogadora que terminar com a pilha 1 determina o fim da primeira rodada. Neste momento, são marcadas as pontuações e as demais rodadas seguem e se encerram da mesma forma. Isso aqui em casa acabou conferindo maior agilidade ao jogo, mas claro que depende das escolhas das jogadoras, da estratégia escolhida ou até mesmo do estilo de jogar de cada uma, pois será possível acelerar ou segurar o andamento da partida quando julgar necessário, sem esquecer de ficar de olho no andamento das pilhas das demais jogadoras.

Castles of Tuscany me proporciona mais aquela satisfação por conseguir concluir espaços no tabuleiro de região do que Burgundy. Isso porque os espaços de cada tipo são menores e também não há dados para definir quais tiles você pega e onde as aloca. Aqui, você simplesmente escolhe entre as tiles disponíveis na mesa, não precisando contar com a sorte nos dados. Porém, como em Burgundy, você pega a tile e a coloca no tabuleiro de jogadora para apenas no próximo turno, ou quando for conveniente, tentar aloca-la em seu tabuleiro de região, sempre adjacente à outra tile, mas novamente, sem dados.

50 tons de verde

Uma grande mudança é o uso de cartas para transferir a peça do tabuleiro de jogadora para o de região – cada tipo de tile é representado por uma cor, descritas como laranja, verde claro, verde escuro, bege, amarelo, vermelho, turquesa  e cinza. As cartas fazem referência às tiles e consequentemente às suas cores, nessa nova mecânica, para transferir a tile para o tabuleiro de região o esquema é meio Ticket to Ride, você precisa descartar 2 cartas da cor da tile em questão.

Caso não tenha a cor de carta necessária, você pode substituir cada uma das cartas por duas outras iguais. Isso quer dizer que você pode descer uma tile com 2, 3 ou até 4 cartas, a depender da combinação que conseguir. Você também pode usar trabalhadores para substituir cartas, mas aqui eles são mais difíceis de conseguir armazenar do que em Burgundy.

Como estamos falando das cores das tiles e das cartas, devo dizer que a polêmica das cores para mim segue firme e forte, decidam se bege e turquesa são mais tons de verde… aguardo comentários! Acrescento ainda que tem um verdinho em todas as peças… como meeple verde de todas as partidas, aprovo!

Tabuleiro de jogadora

No tabuleiro inicial, você terá espaço para armazenar apenas um item de cada tipo e precisa fazer melhorias em seu tabuleiro para dispor de mais espaço para armazenamento. Para isso, basta alocar uma tile de cidade (vermelha), ao aloca-la, poderá escolher entre comprar mais cartas de região, de comércio, ter mais espaços de armazenamento de trabalhadores, ou de tiles ou ainda de mármores (que permitem uma jogada a mais na sua vez).

Pontuação

O tabuleiro central traz uma arte linda, típica da região da Toscana e auxilia assim na ambientação do jogo, mas não está aí só para isso, serve para marcar a pontuação, que aliás, é feita de uma forma bem única, em duas faixas, uma verde (obviamente) e outra vermelha (poderia ser em outro tom de verde, fica aqui a minha crítica rs). A faixa verde externa é onde a maioria dos seus pontos durante a rodada são marcados, a menos que seja indicado o contrário. Porém, após o término de cada rodada, as jogadoras irão adicionar o número total de pontos ganhos na faixa verde ao seu marcador da faixa vermelho.

Portanto, se você ganhou 12 pontos na primeira rodada, ao final dela, você andará 12 espaços com seu marcador na faixa vermelha. Na próxima rodada, se você ganhou mais 15 pontos, ou seja, está na posição 27 da faixa verde, andará na faixa vermelha mais 27 espaços, ficando na posição 39. Considerando isso, se atente para a importância de pontuar bem já na primeira rodada. Ganha o jogo quem tiver mais pontos na faixa vermelha.

Idade

Na caixa, a idade é +10 e testei com a minha sobrinha, ela tem o hábito jogar fillers, families, parties, mas nunca chegou perto de um euro… Ela jogou bem, ficou inclusive em segundo lugar na primeira vez em que jogou. Isso é ótimo, porque é uma possibilidade de jogar um euro com a família toda! Um erro comum entre os amantes de jogos é associar simplicidade à falta de qualidade. Não é o caso. O jogo é muito estratégico e claro o nível de dificuldade pode ser dado de acordo com suas adversárias.

Castles of Burgundy ou Castles of Tuscany?

Sou fã de Castles of Burgundy (jogo do mesmo autor e de grande sucesso mundial) e a comparação é inevitável. Mas já adianto que como se trata da mesma editora (Alea) e do mesmo game designer (Stefan Feld) não seria muito inteligente criar um novo jogo para competir com outro jogo consagrado e deles mesmos, né? Burgundy tem elementos diferentes, tem uma partida mais demorada, é mais pesado, tem mais bloqueios, tem o lance dos dados e por ter mais bloqueios e espaços maiores para alocar tiles dá aquela real sensação de que você não vai conseguir inserir todas as peças que deseja no seu reinado… isso faz um coração eurogamer sofrer, eu sei.

Castles of Tuscany é mais leve, mas no sentido de haver menos bloqueios; há a mistura de outras mecânicas e grandes diferenças no modo de pontuar, mas mantém o jogo dentro da mesma linha de estilo e sofisticação. Tuscany possui tabuleiros modulares para montar a região como quiser e possui espaços menores para completar a região mais rapidamente – isso dá aquela sensação boa de conseguir construir o que você queria. Achei a arte mais bonita e os 50 tons de verde para mim, seguem aqui!

Resumindo, não são jogos excludentes, vale ter ambos na coleção, sendo o Burgundy o pesado, com partida mais longa e o Tuscany para um momento de mais agilidade e leveza. Ambos são uma delícia de jogar, mas com Tuscany você tem mais chances de converter pessoas para o mundo eurogamer!

Detalhes sempre relevantes

O jogo não tem insert, vem com muitos saquinhos e eu decidi organizar os meus com os itens de cada jogadora para facilitar o set up da próxima partida.

O jogo tem 150 cartas no tamanho mini euro.

Possui tiles, peças de madeira, tabuleiro individual e o de região é modular. Tudo de qualidade excelente.

Observação importante: Eu joguei de acordo com o manual em inglês que vem na caixa (o jogo veio com 5 manuais: em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol). Achei muito simples, direto, bem escrito, como deve ser um manual, porém, lendo sobre o jogo, achei um post do usuário da Ludopedia Felipe023, dizendo que há atualizações do manual com algumas mudanças de regra, segue link aqui,então, recomendo que pesquisem isso antes de começar.

Os jogos mais lindos que já jogamos!

Seja bem-vinda ao nosso espaço de curadoria da JogaMana!

Aqui, trazemos mensalmente uma lista de jogos que indicamos dentro de um determinado tema. Bora para mais uma lista?

O tema escolhido deste mês tem a ver com beleza, com cor, com atração e, por que não, total satisfação! Sabe aqueles jogos que dão vontade de colocar na mesa pelo puro prazer de ficar admirando a beleza toda? Que toda vez que você tira da caixa já te traz uma animação extra? Que os componentes são tão lindos e as cartas tão perfeitas que pode dar até dó de jogar sem proteger tudo, até o tabuleiro? Pois é, hoje vamos falar dos jogos mais lindos que já jogamos.

Se beleza não é tudo nessa vida, imagine nos jogos de mesa? Então, não necessariamente são jogos que amamos. Mas que dá um baita prazer ver um jogo lindão na mesa, isso dá, viu! Vem com a gente ver qual foram nossos escolhidos. E aproveite para nos contar também qual é o seu!


E ainda há quem diga que “beleza não põe mesa”!

Quando o tema é beleza, como não falar do lindíssimo Ishtar: Gardens of Babylon? O tema é lindo, os componentes são lindos, enfim, a beleza na mesa! A lenda diz que há muito tempo, numa noite sem estrelas, o jardineiro da rainha caiu em lágrimas, no meio do deserto, se questionando sobre como faria um jardim em terras áridas e inférteis. A deusa Ishtar se comoveu com o desespero do jardineiro, coletou sua lágrima e a enviou de volta à superfície, a transformando numa fonte inesgotável de água. Em forma de agradecimento, o jardineiro se comprometeu a fazer dessas terras o mais magnífico jardim! O jogo tem tiles floridos, cartas com arte de árvores maravilhosas, gemas roxas, vermelhas e brancas e ainda peças de madeira: um regador, árvores lindas e jardineiros coloridos.

Meu trunfo de Essen: ganhei duas cartas de árvores especiais e exclusivas! São feitas para substituir as duas cartas mais fortes do jogo e são lindas! Elas são feitas usando o efeito foil, dando um brilho metalizado e variação nas cores de acordo com a luz, maravilhosas!

Aliás, o jogo foi muito bem ambientado em Essen pela Lello! Decoração imersiva, com tendas, tapetes e velas, num estilo oriental magnífico e muito digno do jogo. Meu jogo foi autografado pelo Bruno Cathala, de quem sou fã!


“Cerebriante”!

Se beleza é um aspecto subjetivo, taí um jogo que adentra precisamente esse campo: Cerebria! Um jogo inebriante – ou “cerebriante” -, que mira no estado de espírito, da caixa à proposta, passando pelos componentes de seu universo colorido – que é uma representação do universo subjetivo das emoções, o “mundo interior”, com miniaturas que incorporam “a emoção em pessoa”, e podem ser pintadas para uma experiência ainda mais repleta de beleza e identificação. A partida é idealmente jogada em duplas, cada qual disputando pelo objetivo de construir uma personalidade com a sua marca – que pode ser mais melancólica, com um conjunto de emoções representadas em cores frias, ou mais otimista, com um conjunto de emoções representadas em cores quentes. Vale abrir o coração – e o cérebro – para essa belezura!

Fotos retiradas da Ludopedia


REVIGORE-SE SEM SAIR DO LUGAR!

Quando penso nos jogos lindos que tenho, é impossível não me lembrar de Parks! Já começa pela capa estonteante, harmônica e que traz uma paz com a cachoeira correndo e uma família de ursos passeando. Ao abrir a caixa, mais um transbordar de belezas: temos mais de 40 cartas no tamanho Tarot representando parques nacionais dos Estados Unidos que iremos visitar, tokens únicos de animais selvagens que representam os animais que conheceremos nas nossas explorações, mini-fotos que serão tiradas nos passeios, tokens de madeira em formato de sol, montanha, água, e por aí vai.

É tudo feito com tanto esmero e delicadeza que faz com que parte da delícia do jogo é ser jogá-lo como se estivesse de fato passeando pelos parques. Percebo que toda essa preocupação com a estética faz parte da experiência do jogo em si: em todas as vezes que o jogo, as pessoas dizem que tendem a querer visitar os parques mais pela beleza do que pelos pontos que dão. E algo similar acontece com as escolhas das fotos e dos animais: mesmo eles não tendo distinção de ponto/recompensa, as pessoas escolhem a dedo qual ficar para si. Sem contar que o próprio insert é perfeito: tudo tem seu devido lugar. Enfim, é de fato uma experiência deliciosa jogar Parks e uma belíssima forma de revigorar-se sem sair do lugar!

Fotos retiradas dos sites: Campanha no KS e BoardGameQuest

Para ver mais detalhes da beleza e de como joga, saca só a página da campanha dele!


War com belas miniaturas (brincadeirinha!!!) 

Infelizmente, a beleza exuberante não costuma ser uma característica da maioria dos meus board games preferidos. Mesmo com algumas menções honrosas, como o já anteriormente mencionado Feudum, a tendência dos meus jogos é se limitarem a cubos, peças de madeira e mapas hexagonais. Por isso, o jogo que eu escolhi para esta lista passa longe, longe de ser um super querido para mim. Muitas vezes, eu costumo me referir a ele como “War com belas miniaturas”, mas eu digo isso na melhor das intenções para provocar fortes emoções a meu interlocutor. Estou falando de Rising Sun. Se o aspecto estratégico dele não é muito minha praia, não há nem o que dizer do design. É daquele tipo de jogo que você até quer usar as miniaturas como decoração pela casa, temendo a intervenção das mãos gordurentas das criancinhas que inevitavelmente virão mexer com seus brinquedos. Ossos do ofício para quem é nerd afeito a miniaturas. Sorte que eu não sou desse tipo, mas nada nos impede de admirar um belo trabalho.

Fotos retiradas da Ludopedia


E ai, curtiu nossas indicações? Conta para gente quais são os jogos mais lindões que você já jogou!

Mulheres nos jogos #12

Toda sexta-feira, (sim, mudamos o dia da semana) a JogaMana celebra no Instagram mulheres que atuam em diversas frentes no mercado dos jogos de tabuleiro! Confira abaixo um compilado com a décima segunda parte – nesta edição, apresentamos 2 designers de nacionalidades e estilos diversos.

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8, Nona parte #9, décima parte #10 e décima primeira parte #11.

A alemã Carmen Kleinert criou o jogo infantil “Da ist der Wurm drin” (em tradução livre, seria algo como “Aí está a minhoca” ou “Aí está o verme”) com o apoio da sua filha, que também participou do processo de criação e de muitos playtestes! Em seu primeiro jogo, a designer já começou em grande estilo, pois ganhou o Kinderspiel des Jahres 2011! Prêmio de jogo infantil mais importante da Europa! Para vocês terem uma ideia do impacto dessa premiação, em entrevista ao Kevin, do blog Kevin and Games, o CEO da Zoch Verlag contou que após receber o prêmio, esse jogo vendeu mais de 200.000 unidades somente em um ano!
Parece um jogo muito divertido e já pode ser jogado pelas maninhas a partir de 4 anos! Cada jogadora tenta ser a primeira a ter sua minhoca pondo a cabeça para fora da pilha de composto no final do jardim, para isso precisa prestar atenção e impedir que as demais minhocas vençam essa corrida. A mecânica do jogo recompensa a atenção das crianças, as encorajando a calcular as diferenças de comprimento, distância e tempo.

Informações do BGG e do http://kevinandgames.blogspot.com/

Aya é uma artista e desenvolvedora de jogos de tabuleiro. Ela também administra um site de jogos de tabuleiro japonês. Seus jogos incluem BodoCa, Loving Penguin e Ubergang des Barocks, todos de 2018.

Bodoca é literalmente a abreviação de “jogo de carta sobre jogos de tabuleiro”. É um party game trivia sobre jogos de tabuleiro que contém cartas com temas, componentes e designer dos nossos amados jogos!

Love penguin é sobre uma competição de dar presentes de pinguins! Todo trabalhado no tema invernal e super kawaii (fofinho em japonês) 😍.

Ubergang des Barocks (transições do barroco) é sobre a mudança nos salões de festa aristocráticos no período barroco, onde a moda ditava os bailes!

Qual vc jogaria? 🎴