Um jogo que te conquista pelo ronronar!

Gosta de Tetris? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de jogos família? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de Board Games com estratégia gostosinha? A Ilha dos Gatos é para você. Gosta de Gatos? Gosta de Ilhas? Gosta de pecinhas de madeira? Calma, que tem para todo mundo! 

Se este jogo fosse um gato, ele certamente seria aquele preguiçoso deitado no sol, curtindo a vida e encantando todos que passam por ele, mas sem se esforçar demais para isso. O típico gatinho que inspira músicas como aquele do Skank “Te ver e não te querer é como (…) ver um bichano pelo chão e não sorrir”. 

Se não bastasse a linda arte e os componentes de excelente qualidade, A Ilha dos Gatos atrai pela simplicidade de regras e pelas possibilidades trazidas pela versão família e pela versão solo para os mais fãs mais hardcore. Se eu ainda tenho que falar de mecânicas para te convencer, eu diria que trata-se de um quebra-cabeças arrojado, com uma temática fofíssima e um toque de coleção de peças.

Precisa de mais? Dá uma sacada nas regras do jogo no vídeo abaixo e embarque nessa aventura repleta de felinos, tesouros, exércitos do mal e… ratos, claro!

A potência do coração da Montanha

In the Hall of the Mountain King – ou apenas “Mountain King”, para as chegadas – é um jogo profundo: a cada partida, a fim de retomar o espaço e reconstruir a brilhante sociedade que um dia nos foi invadida, saqueada e devastada, tentamos provar nossa força escavando túneis cujas duras paredes nos aproximam do coração da Montanha, e enaltecer nossa sabedoria construindo templos e estátuas para a memória de nosso povo, nomeando um Rei para representá-lo por mérito. Quem somos? Trabalhadoras cuja força, a honra e o valor há muito são desmerecidos por aqueles que dominam a História. Não se espante: somos TROLLS!

Imagem retirada da campanha de “In the hall of the Mountain King” no Kickstarter

Assim poderia ser apresentado algum jogo do mais respeitável escalão Ameritosco*, carregado de referências clássicas à Fantasia nórdica, com motivos aventurescos, e uma jornada heróica a ser traçada por Honra. Mas não! Ao abrir a caixa do jogo, nada de miniaturas de personagens. Ao invés disso, (exceto na versão Deluxe, que acabou apelando um pouco mais pro trash), lindas estatuetas conceituais de madeira em tons pastel, cartas, cartinhas e cartonas, um belo tabuleiro de arte simples e, é claro, os clássicos cubos de madeira representando recursos básicos: pedra, ferro e heartstone.

Da esquerda para a direita: alguns dos recursos (ferro – cubos pretos; heartstone – cubos vermelhos; carrinhos para transportar estátuas – carrinhos marrons); cartas de feitiço; cartas de trolls disponíveis para recrutamento. Sobre alguns deles, recursos (cubo cinza = pedra) ou pedestais para estátuas (em azul, laranja, branco ou trio-de-cores).

Típico eurojogo nas mecânicas centrais – coletar e acumular recursos, construir uma economia (a famosa “maquininha de gerar/multiplicar recursos”) e empreender construções -, Mountain King envolve ainda um belo Tetris temático, que são os túneis abertos onde as principais obras – templos e estátuas – de sua sociedade em reascensão serão erguidas. Os Trolls que fazem todo o trabalho são, como é de praxe em eurojogos, “personagens abstratos”, isto é, nada de nome próprio, narrativa pessoal nem poder especial. Cada jogadora opera, na verdade, toda uma horda, que já inicia com 4 trabalhadores e vai crescendo conforme novos trolls, ao acesso de todas na partida, são recrutados. A diferença entre eles é o tipo e a quantidade de recurso que são capazes de gerar com seu trabalho – e daí a maquininha, isto é, a economia em Mountain King funciona.

Fiquei encantada jogando em 2, 3 e 4 jogadoras. Quanto mais, mais o aspecto competitivo fica manifesto, já que os túneis que escavamos são um controle de área. Também por outro elemento: há “feitiços” em jogo que propiciam a possibilidade de alguma vantagem, que pode ser reivindicada até 3 vezes ao todo (não importando se a reivindicadora varia ou se repete), ao fim do quê o feitiço “esgotado” é substituído, garantindo uma competição ferrenha – mas ainda bastante longe de envolver algum aspecto Sorte.

ocoração da Montanha, estátuas disponíveis, túneis disponíveis (Tetris em amarelo), “templos” disponíveis (no canto direito. São halls, ah, também são templos na temática)
Olha como as estátuas ficam lindinhas em pedestais!

Nas 5 partidas que joguei até agora, os placares foram sempre próximos. Às vezes, coisa de 1 ou 2 pontos de diferença. Um ótimo sinal para quem pira num balanceamento pró-simetria. Vale a pena se aventurar!

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*Referência à categoria de jogos conhecida como Ameritrash. De uns tempos pra cá, há quem venha chamando a categoria de “Escola Americana”, entre outras razões, para evitar ruídos de interpretação da expressão “trash”. “Trash”, do inglês, pode ser uma tradução literal para “lixo”. No entanto, no caso dos jogos, geralmente se refere a um imaginário de aventura e confronto, em que a Sorte pode mudar o destino. Eu, pessoalmente, acho avacalhado pra chuchu que isso tenha virado polêmica em algum lugar. Uai, contar com a sorte não é trash? De toda maneira, a fim de promover termos brazuca pro vocabulário tabuleirista ficar mais compreensível por essas bandas, apelo para uma livre tradução. Uma que seja autêntica. Proponho “Ameritosco”.

The Castles of Tuscany ou 50 tons de verde parte 2?

Já adianto que vai bem com vinho!

Acho que toda(o) boardgamer já se viu diante da necessidade de achar um bom jogo de entrada, estratégico, com mecânicas diversas, tema envolvente, que reflita a sofisticação de um bom jogo de tabuleiro moderno para inserir pessoas no hobby, certo? Castles of Tuscany é esse jogo!

Ambientado na Toscana do século XV, aqui você se torna uma influente nobre tentando levar essa região à prosperidade e assim aumentar sua fortuna e prestígio, e claro, conquistar pontos de vitória!

O jogo

O jogo tem a duração de 3 rodadas, cada jogadora terá 22 tiles hexagonais, sendo um castelo dupla face, que já deve ser alocado em um lugar verde escuro deu seu tabuleiro de região e as 21 demais (de cidade, povoado, agricultura, carroça, monastério, pedreira, forte e hospedaria) serão divididas em 3 pilhas no tabuleiro de jogador. São essas pilhas que marcam a duração da partida. Toda vez que você pegar uma tile da mesa e colocar em seu tabuleiro de jogadora, você deve repor a mesa com uma tile da sua pilha, sempre respeitando a ordem das pilhas numeradas (1, 2 e 3).  

A primeira jogadora que terminar com a pilha 1 determina o fim da primeira rodada. Neste momento, são marcadas as pontuações e as demais rodadas seguem e se encerram da mesma forma. Isso aqui em casa acabou conferindo maior agilidade ao jogo, mas claro que depende das escolhas das jogadoras, da estratégia escolhida ou até mesmo do estilo de jogar de cada uma, pois será possível acelerar ou segurar o andamento da partida quando julgar necessário, sem esquecer de ficar de olho no andamento das pilhas das demais jogadoras.

Castles of Tuscany me proporciona mais aquela satisfação por conseguir concluir espaços no tabuleiro de região do que Burgundy. Isso porque os espaços de cada tipo são menores e também não há dados para definir quais tiles você pega e onde as aloca. Aqui, você simplesmente escolhe entre as tiles disponíveis na mesa, não precisando contar com a sorte nos dados. Porém, como em Burgundy, você pega a tile e a coloca no tabuleiro de jogadora para apenas no próximo turno, ou quando for conveniente, tentar aloca-la em seu tabuleiro de região, sempre adjacente à outra tile, mas novamente, sem dados.

50 tons de verde

Uma grande mudança é o uso de cartas para transferir a peça do tabuleiro de jogadora para o de região – cada tipo de tile é representado por uma cor, descritas como laranja, verde claro, verde escuro, bege, amarelo, vermelho, turquesa  e cinza. As cartas fazem referência às tiles e consequentemente às suas cores, nessa nova mecânica, para transferir a tile para o tabuleiro de região o esquema é meio Ticket to Ride, você precisa descartar 2 cartas da cor da tile em questão.

Caso não tenha a cor de carta necessária, você pode substituir cada uma das cartas por duas outras iguais. Isso quer dizer que você pode descer uma tile com 2, 3 ou até 4 cartas, a depender da combinação que conseguir. Você também pode usar trabalhadores para substituir cartas, mas aqui eles são mais difíceis de conseguir armazenar do que em Burgundy.

Como estamos falando das cores das tiles e das cartas, devo dizer que a polêmica das cores para mim segue firme e forte, decidam se bege e turquesa são mais tons de verde… aguardo comentários! Acrescento ainda que tem um verdinho em todas as peças… como meeple verde de todas as partidas, aprovo!

Tabuleiro de jogadora

No tabuleiro inicial, você terá espaço para armazenar apenas um item de cada tipo e precisa fazer melhorias em seu tabuleiro para dispor de mais espaço para armazenamento. Para isso, basta alocar uma tile de cidade (vermelha), ao aloca-la, poderá escolher entre comprar mais cartas de região, de comércio, ter mais espaços de armazenamento de trabalhadores, ou de tiles ou ainda de mármores (que permitem uma jogada a mais na sua vez).

Pontuação

O tabuleiro central traz uma arte linda, típica da região da Toscana e auxilia assim na ambientação do jogo, mas não está aí só para isso, serve para marcar a pontuação, que aliás, é feita de uma forma bem única, em duas faixas, uma verde (obviamente) e outra vermelha (poderia ser em outro tom de verde, fica aqui a minha crítica rs). A faixa verde externa é onde a maioria dos seus pontos durante a rodada são marcados, a menos que seja indicado o contrário. Porém, após o término de cada rodada, as jogadoras irão adicionar o número total de pontos ganhos na faixa verde ao seu marcador da faixa vermelho.

Portanto, se você ganhou 12 pontos na primeira rodada, ao final dela, você andará 12 espaços com seu marcador na faixa vermelha. Na próxima rodada, se você ganhou mais 15 pontos, ou seja, está na posição 27 da faixa verde, andará na faixa vermelha mais 27 espaços, ficando na posição 39. Considerando isso, se atente para a importância de pontuar bem já na primeira rodada. Ganha o jogo quem tiver mais pontos na faixa vermelha.

Idade

Na caixa, a idade é +10 e testei com a minha sobrinha, ela tem o hábito jogar fillers, families, parties, mas nunca chegou perto de um euro… Ela jogou bem, ficou inclusive em segundo lugar na primeira vez em que jogou. Isso é ótimo, porque é uma possibilidade de jogar um euro com a família toda! Um erro comum entre os amantes de jogos é associar simplicidade à falta de qualidade. Não é o caso. O jogo é muito estratégico e claro o nível de dificuldade pode ser dado de acordo com suas adversárias.

Castles of Burgundy ou Castles of Tuscany?

Sou fã de Castles of Burgundy (jogo do mesmo autor e de grande sucesso mundial) e a comparação é inevitável. Mas já adianto que como se trata da mesma editora (Alea) e do mesmo game designer (Stefan Feld) não seria muito inteligente criar um novo jogo para competir com outro jogo consagrado e deles mesmos, né? Burgundy tem elementos diferentes, tem uma partida mais demorada, é mais pesado, tem mais bloqueios, tem o lance dos dados e por ter mais bloqueios e espaços maiores para alocar tiles dá aquela real sensação de que você não vai conseguir inserir todas as peças que deseja no seu reinado… isso faz um coração eurogamer sofrer, eu sei.

Castles of Tuscany é mais leve, mas no sentido de haver menos bloqueios; há a mistura de outras mecânicas e grandes diferenças no modo de pontuar, mas mantém o jogo dentro da mesma linha de estilo e sofisticação. Tuscany possui tabuleiros modulares para montar a região como quiser e possui espaços menores para completar a região mais rapidamente – isso dá aquela sensação boa de conseguir construir o que você queria. Achei a arte mais bonita e os 50 tons de verde para mim, seguem aqui!

Resumindo, não são jogos excludentes, vale ter ambos na coleção, sendo o Burgundy o pesado, com partida mais longa e o Tuscany para um momento de mais agilidade e leveza. Ambos são uma delícia de jogar, mas com Tuscany você tem mais chances de converter pessoas para o mundo eurogamer!

Detalhes sempre relevantes

O jogo não tem insert, vem com muitos saquinhos e eu decidi organizar os meus com os itens de cada jogadora para facilitar o set up da próxima partida.

O jogo tem 150 cartas no tamanho mini euro.

Possui tiles, peças de madeira, tabuleiro individual e o de região é modular. Tudo de qualidade excelente.

Observação importante: Eu joguei de acordo com o manual em inglês que vem na caixa (o jogo veio com 5 manuais: em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol). Achei muito simples, direto, bem escrito, como deve ser um manual, porém, lendo sobre o jogo, achei um post do usuário da Ludopedia Felipe023, dizendo que há atualizações do manual com algumas mudanças de regra, segue link aqui,então, recomendo que pesquisem isso antes de começar.

Os jogos mais lindos que já jogamos!

Seja bem-vinda ao nosso espaço de curadoria da JogaMana!

Aqui, trazemos mensalmente uma lista de jogos que indicamos dentro de um determinado tema. Bora para mais uma lista?

O tema escolhido deste mês tem a ver com beleza, com cor, com atração e, por que não, total satisfação! Sabe aqueles jogos que dão vontade de colocar na mesa pelo puro prazer de ficar admirando a beleza toda? Que toda vez que você tira da caixa já te traz uma animação extra? Que os componentes são tão lindos e as cartas tão perfeitas que pode dar até dó de jogar sem proteger tudo, até o tabuleiro? Pois é, hoje vamos falar dos jogos mais lindos que já jogamos.

Se beleza não é tudo nessa vida, imagine nos jogos de mesa? Então, não necessariamente são jogos que amamos. Mas que dá um baita prazer ver um jogo lindão na mesa, isso dá, viu! Vem com a gente ver qual foram nossos escolhidos. E aproveite para nos contar também qual é o seu!


E ainda há quem diga que “beleza não põe mesa”!

Quando o tema é beleza, como não falar do lindíssimo Ishtar: Gardens of Babylon? O tema é lindo, os componentes são lindos, enfim, a beleza na mesa! A lenda diz que há muito tempo, numa noite sem estrelas, o jardineiro da rainha caiu em lágrimas, no meio do deserto, se questionando sobre como faria um jardim em terras áridas e inférteis. A deusa Ishtar se comoveu com o desespero do jardineiro, coletou sua lágrima e a enviou de volta à superfície, a transformando numa fonte inesgotável de água. Em forma de agradecimento, o jardineiro se comprometeu a fazer dessas terras o mais magnífico jardim! O jogo tem tiles floridos, cartas com arte de árvores maravilhosas, gemas roxas, vermelhas e brancas e ainda peças de madeira: um regador, árvores lindas e jardineiros coloridos.

Meu trunfo de Essen: ganhei duas cartas de árvores especiais e exclusivas! São feitas para substituir as duas cartas mais fortes do jogo e são lindas! Elas são feitas usando o efeito foil, dando um brilho metalizado e variação nas cores de acordo com a luz, maravilhosas!

Aliás, o jogo foi muito bem ambientado em Essen pela Lello! Decoração imersiva, com tendas, tapetes e velas, num estilo oriental magnífico e muito digno do jogo. Meu jogo foi autografado pelo Bruno Cathala, de quem sou fã!


“Cerebriante”!

Se beleza é um aspecto subjetivo, taí um jogo que adentra precisamente esse campo: Cerebria! Um jogo inebriante – ou “cerebriante” -, que mira no estado de espírito, da caixa à proposta, passando pelos componentes de seu universo colorido – que é uma representação do universo subjetivo das emoções, o “mundo interior”, com miniaturas que incorporam “a emoção em pessoa”, e podem ser pintadas para uma experiência ainda mais repleta de beleza e identificação. A partida é idealmente jogada em duplas, cada qual disputando pelo objetivo de construir uma personalidade com a sua marca – que pode ser mais melancólica, com um conjunto de emoções representadas em cores frias, ou mais otimista, com um conjunto de emoções representadas em cores quentes. Vale abrir o coração – e o cérebro – para essa belezura!

Fotos retiradas da Ludopedia


REVIGORE-SE SEM SAIR DO LUGAR!

Quando penso nos jogos lindos que tenho, é impossível não me lembrar de Parks! Já começa pela capa estonteante, harmônica e que traz uma paz com a cachoeira correndo e uma família de ursos passeando. Ao abrir a caixa, mais um transbordar de belezas: temos mais de 40 cartas no tamanho Tarot representando parques nacionais dos Estados Unidos que iremos visitar, tokens únicos de animais selvagens que representam os animais que conheceremos nas nossas explorações, mini-fotos que serão tiradas nos passeios, tokens de madeira em formato de sol, montanha, água, e por aí vai.

É tudo feito com tanto esmero e delicadeza que faz com que parte da delícia do jogo é ser jogá-lo como se estivesse de fato passeando pelos parques. Percebo que toda essa preocupação com a estética faz parte da experiência do jogo em si: em todas as vezes que o jogo, as pessoas dizem que tendem a querer visitar os parques mais pela beleza do que pelos pontos que dão. E algo similar acontece com as escolhas das fotos e dos animais: mesmo eles não tendo distinção de ponto/recompensa, as pessoas escolhem a dedo qual ficar para si. Sem contar que o próprio insert é perfeito: tudo tem seu devido lugar. Enfim, é de fato uma experiência deliciosa jogar Parks e uma belíssima forma de revigorar-se sem sair do lugar!

Fotos retiradas dos sites: Campanha no KS e BoardGameQuest

Para ver mais detalhes da beleza e de como joga, saca só a página da campanha dele!


War com belas miniaturas (brincadeirinha!!!) 

Infelizmente, a beleza exuberante não costuma ser uma característica da maioria dos meus board games preferidos. Mesmo com algumas menções honrosas, como o já anteriormente mencionado Feudum, a tendência dos meus jogos é se limitarem a cubos, peças de madeira e mapas hexagonais. Por isso, o jogo que eu escolhi para esta lista passa longe, longe de ser um super querido para mim. Muitas vezes, eu costumo me referir a ele como “War com belas miniaturas”, mas eu digo isso na melhor das intenções para provocar fortes emoções a meu interlocutor. Estou falando de Rising Sun. Se o aspecto estratégico dele não é muito minha praia, não há nem o que dizer do design. É daquele tipo de jogo que você até quer usar as miniaturas como decoração pela casa, temendo a intervenção das mãos gordurentas das criancinhas que inevitavelmente virão mexer com seus brinquedos. Ossos do ofício para quem é nerd afeito a miniaturas. Sorte que eu não sou desse tipo, mas nada nos impede de admirar um belo trabalho.

Fotos retiradas da Ludopedia


E ai, curtiu nossas indicações? Conta para gente quais são os jogos mais lindões que você já jogou!

Mulheres nos jogos #12

Toda sexta-feira, (sim, mudamos o dia da semana) a JogaMana celebra no Instagram mulheres que atuam em diversas frentes no mercado dos jogos de tabuleiro! Confira abaixo um compilado com a décima segunda parte – nesta edição, apresentamos 2 designers de nacionalidades e estilos diversos.

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8, Nona parte #9, décima parte #10 e décima primeira parte #11.

A alemã Carmen Kleinert criou o jogo infantil “Da ist der Wurm drin” (em tradução livre, seria algo como “Aí está a minhoca” ou “Aí está o verme”) com o apoio da sua filha, que também participou do processo de criação e de muitos playtestes! Em seu primeiro jogo, a designer já começou em grande estilo, pois ganhou o Kinderspiel des Jahres 2011! Prêmio de jogo infantil mais importante da Europa! Para vocês terem uma ideia do impacto dessa premiação, em entrevista ao Kevin, do blog Kevin and Games, o CEO da Zoch Verlag contou que após receber o prêmio, esse jogo vendeu mais de 200.000 unidades somente em um ano!
Parece um jogo muito divertido e já pode ser jogado pelas maninhas a partir de 4 anos! Cada jogadora tenta ser a primeira a ter sua minhoca pondo a cabeça para fora da pilha de composto no final do jardim, para isso precisa prestar atenção e impedir que as demais minhocas vençam essa corrida. A mecânica do jogo recompensa a atenção das crianças, as encorajando a calcular as diferenças de comprimento, distância e tempo.

Informações do BGG e do http://kevinandgames.blogspot.com/

Aya é uma artista e desenvolvedora de jogos de tabuleiro. Ela também administra um site de jogos de tabuleiro japonês. Seus jogos incluem BodoCa, Loving Penguin e Ubergang des Barocks, todos de 2018.

Bodoca é literalmente a abreviação de “jogo de carta sobre jogos de tabuleiro”. É um party game trivia sobre jogos de tabuleiro que contém cartas com temas, componentes e designer dos nossos amados jogos!

Love penguin é sobre uma competição de dar presentes de pinguins! Todo trabalhado no tema invernal e super kawaii (fofinho em japonês) 😍.

Ubergang des Barocks (transições do barroco) é sobre a mudança nos salões de festa aristocráticos no período barroco, onde a moda ditava os bailes!

Qual vc jogaria? 🎴

JogaMana Off Topic: A série mais board gamer que já existiu

Engana-se quem pensa que os jogos de tabuleiros são restritos às nossas mesas e meeples. Muitas vezes, nosso amado hobby transpõe os ambientes de nossas salas de estar para figurar em nossas telas, sutilmente invadindo séries, filmes e outras produções audiovisuais de nossa preferência. 

Na série O Gambito da Rainha, com seu estrondoso sucesso, nós vimos o xadrez tomar o lugar de co-protagonista junto à personagem Beth Harmon. Eu até cheguei a expressar um pouco minha opinião sobre a produção no Instagram. Porém, existem incontáveis de outras referências audiovisuais aos board games, que em geral são usados como meios para um de se falar de questões muitos particulares sobre relacionamentos, conflitos e histórias. Foi daí que surgiu a ideia desta nova coluna: a JogaMana Off Topic – que, na real, nem é tanto Off Topic assim. 

Nem todo mundo apreciou meu ponto de vista sobre a série…

Para começo de conversa, pensei em falar de uma série que trouxe tanto os board games para a tela ao longo de suas 6 temporadas que até rolou polêmica com um episódio envolvendo D&D. Estou falando de Community. Para quem não conhece, vou resumir o enredo dizendo que se trata de 7 pessoas que entram numa faculdade de qualidade duvidosa para tentar conquistar um diploma sem ter que se esforçar tanto assim. O tchans do programa se baseia em um humor inteligente e até semiótico, cheio de símbolos, referências e constante quebra da “quarta parede”. Mas esses assuntos vou deixar para os TCCs e teses da vida. 

Os sete personagens principais de Community

O ponto que eu realmente quero abordar é como a série encontra significados para os board games além da diversão em si – coisa que toda tabuleirista de respeito faz constantemente. Para Community, os jogos de mesa são também excelentes ferramentas para:

  • Criar timelines alternativas (E04S03 – Remedial Chaos Theory)

Em um dos episódios mais icônicos da série, os sete amigos estão jogando Yahtzee. Eventualmente, chega a pizza da noite e deve-se decidir quem será o responsável para recebê-la. Jeff sugere decidir isso nos dados, e Abed avisa: “você sabe que desta forma está criando 6 timelines, né?” Jeff responde apenas um “aham” com desdém e rola o dado, sem saber do caos que está criando no universo. O episódio dá origem à dark timeline de Community, em que os personagens têm histórias e destinos sombrios. Lição do dia: cuidado ao decidir as coisas com base na sorte dos dados. Vou deixar para o Abed desenvolver melhor esse aprendizado com a cena abaixo:

  • Ajudar na saúde mental da amiguinha (E14S02 – Advanced Dungeons & Dragons) 

Este foi o episódio banido da série devido a uma referência de mau gosto a black face. É uma pena, pois foi algo totalmente desnecessário em um bom episódio de outra forma. Nele, o grupo tenta trazer um pouco de alegria ao colega Neil, cuja depressão e baixa autoestima o fazem ter pensamentos suicidas. Como Neil é um aficionado por RPG, eles propõem um sábado de aventura no jogo para animá-lo. Depois de vários percalços na jornada, o colega admite ter sido um dos melhores jogos da vida dele, e planeja jogatinas para os próximos finais de semana. Sabemos que a depressão do mundo real não se cura magicamente com uma tarde de jogatina, mas todas nós temos consciência do bem que isso pode fazer para a saúde mental. Destaco aqui a cena quase erótica da Annie (que, no jogo, interpreta Hector, o Bem-Dotado) com uma elfa guardiã de pegasus (interpretada pelo Mestre do jogo, Abed):

  • Resolver contendas de forma diplomática (E09S05 – VCR Maintenance and Educational Publishing) 

Para que brigar? Bora resolver as paradas no tabuleiro! Annie e Abed estão em conflito para decidir entre um novo roommate. Diante dessa situação, eles fazem o que qualquer uma de nós faria: rolam os dados em um jogo caótico de faroeste chamado Pile of Bullets que não parece ter propósito nem fim. Para quem ficou curiosa, nesta página aqui tem, inclusive, as regras – que são explicadas por meio de uma fita VHS, algo que eu aprendi ter sido meio modinha nos anos 90. No final, para não dar spoilers, vou apenas dizer que todos perdem – e eu não estou falando apenas do jogo. Mas, pelo menos, Annie e Abed continuam amigos.

  • Apaziguar conflitos familiares (E10S05 – Advanced Advanced Dungeons & Dragons)

Quando uma relação entre pai e filho está desgastada, talvez seja a hora de tentar consertar as coisas com um bom jogo de RPG. Pelo menos foi essa a intenção quando a turma propôs uma partida com a participação do personagem Buzz Hickey e seu filho Hank. O único defeito dessa estratégia foi não contar com a competitividade exasperada de ambos os lados e a falta de vontade real de compreender um ao outro. O jogo acaba se tornando um palco para a briga entre os dois, cada um do seu lado dicotômico da situação. Mesmo assim, no final, o resultado até que é satisfatório. Anota aí dica para resolver conflitos com aquela pessoa ~ especial ~. O ator do Buzz é o Mike de Breaking Bad e Better Call Saul, quem já assistiu vai reconhecer a mesma personalidade nesta cena aqui: 

Bonus: Britta tenta se reconectar com os pais jogando The Ears Have It, descrito no próximo tópico. 

  • Conquistar amizades (E07S06 – Advanced Safety Features)

Ansiosos para conquistar a amizade do recém-introduzido personagem Elroy Patashnik, Annie e Abed resolvem chamá-lo para uma jogatina de The Ears Have It, um jogo fictício que lembra o “Quem sou eu?”. Exceto que, nesta versão, em vez de ter um cartão na testa com um nome de personagem você tem orelhas de animais e tenta adivinhar por meio de perguntas qual animal você é. A estratégia funciona horrores e a dupla acaba atingindo seu objetivo. Afinal, quem resiste a um bom party game? 

  • Bônus: Criar um final surreal para a série.

Depois de tudo isso, se você ainda acha eu estou forçando a barra ao dizer que Community é a série mais board gamer que já existiu, te convido a assistir a cena que simplesmente encerra toda a série e tire suas próprias conclusões:

5 jogos bons para baralho!

Seja bem-vinda ao nosso espaço de curadoria da JogaMana!

Aqui, trazemos mensalmente uma lista de jogos que indicamos dentro de um determinado tema. Bora para mais uma lista?

O tema escolhido deste mês foi inspirado no Edital Ligadas na Meeple – uma iniciativa da Liga Brasileira de @mulherestabuleiristas com a @meeblebr que irá publicar um jogo de cartas feito exclusivamente por mulher(es). Então, resolvemos escolher um jogo de cartas que temos, gostamos demais e achamos ser bom para Baralho! Vem com a gente ver qual foram nossos escolhidos. E aproveite para nos contar também qual seria o seu!

NO CAMINHO DAS ÍNDIAS

Foto: Adrilhama

Jaipur é um super jogo de cartas para 2 jogadoras. Neste cardgame somos comerciantes nessa cidade Indiana que é mega famosa pelas cores e sabores de seu mercado.

O objetivo é ser a mais bem sucedida nas vendas de artefatos valiosos (diamante, ouro e prata) ou mesmo de itens menos raros, mas também muito requisitados pelos clientes (como tecidos, especiarias e couro). Em seu turno você pode pegar um produto no mercado, vender produtos do mesmo tipo ou trocar sua mão com as cartas do mercado utilizando os queridos camelinhos ou mesmo mercadorias que você já possui. Jaipur trabalha com a sua habilidade de gestão de mão e também de ver até quando vale a pena colecionar aqueles produtos para lucrar mais. 

O que eu mais gosto em Jaipur é que o jogo me força a ler a oponente através de suas jogadas para então tentar ter uma ideia de quando será a melhor hora para vender meus produtos e ganhar mais pontos. Ah, os pontos são revelados somente no final de cada rodada, então se você não prestar atenção nos passos da sua oponente, não tem como saber quem está ganhando! 

O jogo acontece no sistema “melhor de 3”, ou seja, quem ganhar 2 rodadas, vence o jogo e é considerada a melhor comerciante de todo o mercado de Jaipur :). Cada partida dura mais ou menos uns 30 minutos, sendo assim, um ótimo jogo para quem gosta de um jogo dinâmico!


CARD GAME DO KNIZIA? TEMOS!

A gente aqui é chegada num jogo Knizia, né?

Este é Veneno, um jogo de cartas bem dinâmico, leve e divertido para jogar com a galera. Neste jogo, você deve colocar as poções e venenos nos caldeirões, seguindo as regras, para terminar a partida com o mínimo de pontos possível nas mãos. Na caixa diz que a idade é 14+ (provavelmente para facilitar as adequações), pois na gringa é 8+ e acho que roda muito bem com as manas e maninhas. O grau de dificuldade e nuances serão dados pela experiência das jogadoras.

A edição brasileira tem 2 versões de arte, do mesmo ilustrador, então, basta escolher entre a versão fantasia ou Sci-fi, e se divertir! A minha é a fantasia, adoro as cores e as feiticeiras em destaque! Veneno já é bem conhecido na gringa, como Poison e Friday the 13th e veio para o Brasil pela @ocapturador – recomendo!


A SÉTIMA MARAVILHA DOS GATEWAYS!

Tá chocada? Pois é, meu bem, essa Sétima Maravilha dos Gateways é um jogo de cartas!

Muita gente demora a se dar conta disso porque, apesar de os componentes serem quase todos cartinhas, a mecânica pode chegar meio diferentona para quem está tendo o primeiro – ou um dos primeiros – contato(s) com jogos modernos, especialmente quem nunca viu nem comeu um CIV* – o que é consideravelmente comum para uma primeira mesa do título. 

O jogo deriva de uma versão mais carregada – o clássico “7 Wonders” -, para oferecer a alternativa perfeita para uma enxuta partida a duas jogadoras. Faça do seu império o mais próspero, construa nele as mais impressionantes Maravilhas e certifique-se de protegê-lo bem militarmente para chegar triunfante ao final de três grandes Eras (ou, se seu estilo for mais agressivo, você pode investir tudo em fortalecer seu exército à máxima potência e chegar à vitória pela força!). 

Um jogo ideal para apresentar a novas jogadoras antes de experimentar “drogas mais pesadas” ou para jogar, quando o tempo estiver curto, um jogo que fuja dos estilos de festa, de vaza ou de sorte.

*Também conhecido como “Civilization” – que é um tipo de jogo no qual você é a manda-chuva de uma civilização e precisa expandir seu império.


EXPLOSÃO DE CORES

Quer um jogo rápido de explicar, de entender e de jogar, e que ainda exige de você e da sua galera bastante concentração, calma e estratégia? Hanabi pode ser a sua pedida!

Em Hanabi, nosso principal objetivo é (chute!) fazer mais pontos de forma cooperativa, através da montagem de um espetáculo de fogos de artifício. Dado que é fácil controlar o desastre e vencer, o jogo acaba tendo uma proposta de “Bata sua própria pontuação”, te instigando a jogar mais e mais vezes para melhorar sua performance.

Desenvolvido por Antoine Bauza (conhecidíssimo também por 7 Wonders Duel, Victorian Masterminds, Tokaido, entre tantos outros), Hanabi é um jogo de cartas que foge muito do acontecimento mais básico de jogos desse formato: nenhuma jogadora pode ver as cartas que tem na mão. Sim! A gente joga “sem saber” o que estamos jogando e só vendo as mãos das nossas parceiras. E é justamente aí que a magia acontece.

Para conseguirmos jogar as cartas em ordem sequencial (de 1 a 5) e em cinco diferentes cores (dando um total de 25 pontos possíveis a serem conquistados), precisamos dar dicas umas às outras sobre o que cada uma tem na mão. Mas não se anime…tanto a quantidade quanto a forma da dica são bem limitadas. Então é preciso pensar com calma pra saber para quem dar a dica e o que falar. Enquanto a pessoa que recebe precisa lembrar muito bem quais cartas que tem na mão para não fazer nenhuma besteira.

Eu recomendo esse jogo para qualquer turma, viu! Mas principalmente para aquela que curte jogos de dedução, memória e família!


Se tretar, não jogue. Se jogar, tente não tretar. 

Quem não gostaria de fazer parte de uma sociedade secreta que, na obscuridade, domina os principais órgãos de poder do mundo? Em Illuminati, cada jogadora representa uma dessas sociedades e busca ampliar a sua rede de influência, aliciando grupos ainda neutros ou afanando os aliados da coleguinha.

Por aqui, não existe lealdade. Todo mundo só é fiel a um Deus e ele se chama DINHEIRO. O manual, inclusive, incentiva que a jogadora seja a mais gananciosa possível, sugerindo até mesmo surrupiar os recursos da amiga sentada ao lado.  Não à toa, o jogo ganhou a fama de ser motivo de altas tretas em grupo de amigos. Há até mesmo a crença de que você só pode jogar Illuminati com dois tipos de pessoas: ou suas amigas incondicionais, aquelas que você tem certeza da indestrutibilidade do relacionamento, ou completos desconhecidos, daqueles que você nunca mais vai ver na vida. Um exagero das pessoas, em minha opinião. Illuminati é um jogo divertido e engraçado, prato cheio para quem gosta de intrigas e conspirações. Só não deixe de vigiar bem o seu dinheiro do jogo enquanto estiver na mesa!


E ai, curtiu nossas indicações? Conta para gente quais seriam as suas!

Ah, e a Liga Brasileira de Mulheres Tabuleiristas criou uma lista na Ludopedia de vários jogos de cartas. Depois confere lá e aproveite para colocar nos comentários as mecânicas que você identifica nos jogos!

Mulheres nos jogos #11

Toda semana, a JogaMana celebra no Instagram mulheres que atuam em diversas frentes no mercado dos jogos de tabuleiro! São game designers, ilustradoras, jogadoras, produtoras de conteúdo e por aí vai! Na semana da mulher, prestigiamos aqui as 5 últimas mulheres destacadas em nossas postagens.

Neste mês em que acompanhamos muitas homenagens às mulheres, confira abaixo um pouco do nosso trabalho que tem como intuito, durante todo o ano, inspirar, dar destaque e celebrar as mulheres que atuam em diversas frentes desse mercado e desse hobby que amamos!

Nesta edição, apresentamos 5 game designers sensacionais, de diversas partes do mundo. Uma delas ainda é jogadora profissional e super premiada de um jogo que você vai alimentar a sua curiosidade! Se quiser ver mais fotos, dá uma olhada no instagram @joga_mana e aproveita para nos apoiar, nos seguindo. Se gostar das nossas resenhas e postagens, aproveita para dar aquele voto nas manas, no Prêmio Ludopedia. Estamos concorrendo nas categorias Mídia Escrita e Mídia Social.

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8Nona parte #9 e Décima parte #10.

A japonesa Madoka Kintao é uma jogadora profissional de Shogi, jogo conhecido como o “xadrez japonês”. Ela inventou uma variante de Shogi para atrair as crianças ao jogo, chamada Let’s catch the lion! E atualmente, é a versão de jogos relacionados ao Shogi mais vendido no Japão! Grande feito, hein?! Nessa postagem recebemos uma indicação muito boa de um anime exatamente sobre esse jogo tão tradicional no Japão, da nossa querida Aline, do Canal Turno Extra: Sangatsu No Lion. Se conseguir assistir, conta para a gente o que achou!

Kirsten Hiese venceu em 2016 o Spiel der Spiele – principal premiação de jogos da Áustria, com Kerala! O jogo representa o festival do elefante, na província de Kerala, na Índia. Nele, as jogadoras tentam montar a feira mais magnífica e colorida possível, através da alocação de tiles (que são sorteadas na bolsa) e devem ser posicionadas formando caminhos para seus elefantes! As pontuações são dadas pelo tipo, combinações e outros detalhes relacionados às tiles. Kerala é um jogo família, para ser jogado a partir dos 8 anos, entre 2 a 5 jogadoras, com duração média de 30 min. e seu peso no BGG é 1.83. Esse jogo foi publicado pelas editoras: @kosmos_games e @play_sd_games (Fotos e pesquisa: BGG). Achamos essa premiada game designer um exemplo de criatividade na hora de escolher o tema! Concorda?

Kelly North Adams é uma game designer da Flórida, EUA com alguns títulos já publicados: Veggie Garden (2017), Chibi Quest! (2017) e Musical Chaira (2020). Kelly administra uma pequena empresa de tecnologia, adora uma pista de dança e inclusive dança ballet! Ávida jogadora de bgs, decidiu fazer um curso de game designer e passou a anotar as suas ideias para jogo em um caderno que logo ficou pequeno! Colocou algumas de suas ideias em prática e foi atrás de fazer seus jogos acontecerem! Esperamos ver os títulos dela aqui no Brasil! Fotos e infos pesquisadas no BGG e no site da Kelly: kellynorthadams.com – recomendamos!

Christina Ng Zhen Wei , de Cingapura, é contadora e já trabalhou em diversas áreas. Sempre gostou de jogar, especialmente jogos euro e essa paixão e interesse por jogos a levou a criar, em coautoria com Yeo Keng Leong , Three Kingdoms Redux (2014), jogo com nota 7.9 no BGG e complexidade 4.04 de 5! Neste jogo, você mergulha na história antiga da China e assume o papel de um senhor feudal durante a era dos Três Reinos. Enquanto gerencia os diferentes aspectos da administração de um estado e tenta proteger suas fronteiras contra as tribos rebeldes e inimigos externos, ainda tenta cumprir uma grande ambição: reunificar a China! A temática, além de muito original, nos desperta a vontade conhecer mais sobre a China e sua história – adoro esse bônus que os jogos de tabuleiro nos trazem! Parece ser um jogão! Se alguém já tiver jogado, comenta aqui para nós!

Bowen Simmons criou “Bonaparte at Marengo”, um jogo de guerra para 2 jogadoras(es), com peso 3.20 no BGG e nota 7.4! Sua inspiração foi a batalha que ocorreu em 14 de junho de 1800, quando o exército francês, comandado por Napoleão Bonaparte, foi pego de surpresa e atacado pelo exército austríaco, liderado pelo general Melas, com uma reviravolta francesa, após a chegada de reforços. Alguns anos depois, Simmons criou “Napoleon’s Triumph”, baseada na famosa batalha de Austerlitz. Esse jogo é ainda maior e com mais componentes do que o primeiro, com nota 8.0 e peso 3.65 no BGG. Grandes jogos e temas igualmente grandiosos.

E para vc, qual acontecimento histórico ou festa tradicional daria um jogão? Se inspire nessas mulheres e bora criar! Se tiver a oportunidade de conhecer os jogos dessas mulheres maravilhosas, se lembre de nós e venha nos contar o que achou!

Fala, Mana! | Entrevista com Ariela Holanda

Nesta edição da “Fala, Mana!” contamos com a presença de uma pesquisadora que #representa!
Seu nome é Ariela Holanda, doutora em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília (UnB) e professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnólogo do Instituto Federal do Paraná (IFPR).

A professora e pesquisadora Ariela Holanda

Ariela está entre as pessoas vencedoras do Edital de Bolsas de Pesquisa do programa Game in Lab, realizado pela internacional Asmodee editora de jogos, e aborda os nossos queridinhos – os jogos de tabuleiro – como elementos de aquisição e manutenção de habilidades sociais.

A seguir, conheça um pouquinho mais sobre Ariela e seu trabalho:


JogaMana: Ariela, muito obrigada por estar conosco para esta entrevista!
Antes de mais nada, gostaríamos de parabenizá-la pelo destaque na última premiação da Game in Lab!
Você poderia se apresentar brevemente e contar um pouquinho sobre o projeto vencedor para as seguidoras da JogaMana?

Ariela Holanda: Claro! Sou, antes de tudo, uma entusiasta da ciência e apaixonada pela pesquisa científica. Além disso, sou psicóloga e professora do Instituto Federal do Paraná, campus Londrina. Leciono nos cursos de nível superior (Licenciatura em Ciências Biológicas e Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas) e de nível médio (Técnico em Biotecnologia Integrado ao Ensino Médio). Sou também especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Transtorno do Espectro do Autismo e, atualmente, desenvolvo pesquisas envolvendo Jogos de Tabuleiro, Transtorno do Espectro do Autismo e Economia Comportamental. Quanto ao projeto, nossa ideia é identificar se existe alguma correlação entre o nível de engajamento em diferentes jogos de tabuleiro e as habilidades sociais. Para medir o nível de engajamento, registraremos o tempo que as pessoas jogam e quantas vezes elas jogaram determinados jogos. Já para medir as habilidades sociais, utilizaremos o Inventário de Habilidades Sociais 2 (IHS2-Del-Prette), desenvolvido pelos professores Almir Del Prette e Zilda Del Prette. Para coletar essas informações, participaremos dos eventos de jogos de tabuleiro promovidos pelo LUDICO (Laboratório Universitário de Desenvolvimento de Inteligências e Cognições) – projeto liderado pelo professor Mauticio Takano, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Participaremos ainda dos eventos promovidos pelo professor Gustavo Iachel, na Universidade Estadual de Londrina, tentaremos promover eventos no Instituto Federal do Paraná e, quem sabe, em outros locais que tenham interesse em nos receber.

JM: Como os jogos se tornaram temática de interesse da sua pesquisa?

Ariela: Isso aconteceu de uma forma um pouco inusitada. Eu havia chegado a Londrina há pouco tempo. Vim para a cidade para assumir o cargo de professora do IFPR. Sou de Fortaleza, mas morei em Brasília pouco antes de mudar para Londrina. Como não conhecia ninguém na cidade, um amigo do meu marido passou para ele o contato do Mateus, que morava em Londrina e era de Brasília. Ao chegar ao Paraná, o Mateus e a Rejane, sua esposa, acolheram-nos na cidade e, vez ou outra, os visitávamos na casa deles. Em uma dessas visitas, o Mateus sugeriu que jogássemos um jogo de tabuleiro. Nesse dia, o Mauricio Takano também estava presente. Aceitamos o convite para jogar e eu amei a experiência! Neste mesmo dia, conversando com o Mauricio, descobri que ele era professor da UTFPR, campus Cornélio Procópio, e que desenvolvia um projeto de extensão com jogos de tabuleiro. Achei o projeto muito interessante e resolvi participar de uma de suas edições que ocorreu em Londrina. Foi então que pude conhecer a diversidade dos jogos de tabuleiro modernos e enxergar seu potencial para o desenvolvimento de comportamentos. Desde então, eu, o Mauricio e a Karina, sua esposa, conversamos algumas vezes para pensar em como poderíamos envolver uma pesquisa vinculada ao projeto de extensão. Alguns meses passaram até que conseguíssemos operacionalizar a ideia da pesquisa, escrever o projeto e, finalmente, colocá-lo em prática.

JM: Vimos que seu trabalho compreende os jogos como ferramentas de aquisição e manutenção de habilidades sociais. Para quem não é da área acadêmica, como poderíamos definir brevemente o que são essas habilidades e sua importância?

Ariela: As habilidades sociais são todos aqueles comportamentos valorizados, isto é, aceitos em uma cultura. Portanto, quando esses comportamentos ocorrem, eles têm grandes chances de produzir bons resultados para quem os desempenhou. Por exemplo, na nossa cultura, costumamos valorizar quem diz o que pensa de uma forma que não agride as outras pessoas; quem é afetuoso com familiares e amigos; e quem verdadeiramente se preocupa com o bem-estar social. Isso quer dizer que pessoas que apresentam essas características tendem a ser atendidas em seus pedidos, a ter suas opiniões consideradas em uma discussão e a receber carinho e afeto dos seus grupos sociais. Isto é, elas tendem a ser valorizadas socialmente, aceitas pelas pessoas que convivem naquela cultura.

As habilidades sociais são importantes na medida em que fazem parte do nosso cotidiano e podem constituir um fator protetivo ao desenvolvimento de transtornos mentais, contribuindo para a saúde e o bem-estar. Interagimos com outras pessoas por boa parte de nossas vidas e é nessas interações que costumamos viver nossas maiores felicidades e as mais intensas frustrações. Quanto mais habilidades tivermos para lidar com os outros, melhor tenderá a ser nossa qualidade de vida, pois conseguiremos gerenciar melhor nossos conflitos interpessoais e teremos mais liberdade para nos expressar. Dessa forma, as habilidades sociais podem diminuir a chance de desenvolvimento de transtornos mentais e contribuir para a nossa saúde mental de uma forma geral.

JM: Seu destaque entre os projetos vencedores na premiação da Game in Lab (2020) vem inspirando interessadas por jogos de mesa ao redor do Brasil em começar a se envolver com a pesquisa em torno da temática, a partir das mais diversas áreas. Que conselho você daria para os primeiros passos nessa jornada?

Ariela: Não sei se eu daria exatamente um conselho, mas posso falar um pouco sobre o que me motiva e me instiga no universo dos jogos e da pesquisa científica. Quem sabe alguém se identifica? Penso que, antes de formularmos um bom problema de pesquisa, é fundamental estarmos sensíveis à complexidade dos fenômenos que vivemos. A comunidade acadêmica, algumas vezes, tende a estudar profundamente uma teoria e buscar, nos fenômenos reais, os elementos da teoria. Apesar de ser esse um movimento interessante, pois nos ajuda a sistematizar e organizar uma realidade caótica e complexa, o movimento no sentido inverso me parece extremamente promissor. Em vez de formular perguntas com base em uma teoria, por que não, simplesmente, formular perguntas? Quando observamos um fenômeno, algumas coisas nos saltam aos olhos. Por exemplo, quando me vi em uma sala de aula, em um sábado à tarde, cercada de pessoas se divertindo e jogando, saltou-me aos olhos o entusiasmo dessas pessoas, a qualidade das interações (todas leves e divertidas) e a motivação para aprender coisas novas. Ao mesmo tempo, em meu cotidiano, salta-me aos olhos os incontáveis estudantes em profundo sofrimento psicológico pelos mais diferentes motivos. Diante dessas duas realidades aparentemente opostas, pensei “o que há nesses jogos que pode melhorar a qualidade de vida dos nossos estudantes? Será que o simples fato de jogar não contribuiria para isso? Quais são as características dos jogos que deixam os jogadores motivados e entusiasmados? Por outro lado, por que há tantos jovens em sofrimento psíquico?”. Depois de me dar conta da conexão entre esses fenômenos, recorri à ciência para formular uma estratégia de como eu poderia elaborar perguntas de forma que fossem viáveis a uma investigação. O que quero dizer com esse exemplo é que a teoria deve nos ajudar a compreender o universo, e não ditar qual deverá ser o nosso alvo de investigação, ditar o que merece ser estudado para que a teoria possa avançar. Para mim, o pesquisador deve ser, antes de tudo, sensível à realidade que o cerca e ter curiosidade e motivação suficiente para ver possibilidades em vez de fatalidades. Olhe para o fenômeno e deixe que ele lhe diga o que importa, deixe que ele lhe instigue, permita que o contexto faça surgir a pergunta, e não o contrário.

JM: Depois desse projeto, você pretende continuar a pesquisar a temática de jogos, ou isso ainda está por definir?

Ariela: Pretendo continuar a estudar a temática. O projeto foi um passo inicial de uma pesquisa que penso ser bem maior. Inicialmente, queremos apenas entender se há alguma correlação entre o uso de jogos de tabuleiro modernos e o desenvolvimento de habilidades sociais. Caso essa correlação exista, será possível propor novos estudos para investigar os aspectos específicos envolvidos nessa relação.

JM: Como podemos acompanhar seu trabalho? Você costuma compartilhar suas realizações em alguma mídia online?

Ariela: Essa é uma boa pergunta! Não há um meio específico no qual eu costumo postar os resultados das nossas pesquisas. Entretanto, temos algumas formas de interagir para que as pessoas interessadas fiquem sabendo do que está acontecendo e para que possam também participar, de alguma forma, do projeto. Podem sempre me mandar e-mail quando quiserem saber de algo mais detalhado ou específico (às vezes eu demoro um pouco, mas sempre respondo). A Game in Lab está construindo um site (site da Game in Lab [EM CONSTRUÇÃO]) no qual postará dados de vários projetos que eles apoiam, inclusive o nosso. Além disso, o LUDICO, projeto liderado pelo Mauricio e do qual nosso projeto de pesquisa faz parte, tem várias redes sociais nas quais possivelmente postaremos atualizações da pesquisa (Istagram do LUDICO, Facebook do LUDICO, Canal do LUDICO no YouTube e Blog do LUDICO).

JM: Agora, conta para a gente: você costuma jogar ultimamente? Quais são os seus jogos de tabuleiro favoritos?

Ariela: Então… Imagino que, para a surpresa de muitos, eu não sou uma jogadora assídua. Sou completamente iniciante. Eu amo todas as vezes que jogo, mas, infelizmente, não faço isso com frequência. Não conheço muitos jogos e tenho poucos. Durante a pandemia, o contato com os jogos ficou ainda mais difícil. Quando o projeto de extensão do Mauricio estava acontecendo, vez ou outra, quando eu não estava coletando dados para a pesquisa, eu conseguia jogar. Mas, agora, sem ter um grupo para jogar, está complicado. Entretanto quero muito imergir mais nesse universo e aumentar meu acervo de jogos, pois sou encantada com a infinidade de possibilidades que eles oferecem. Ah! Meu jogo favorito, até agora, foi o Dixit!

JM: E o que faz desse jogo especial para você?

Ariela: Talvez o Dixit seja sempre especial para mim, pois foi um dos primeiros que joguei e, sem dúvidas, o que mais gostei!

JM: Que tal uma rápida sessão de perguntas bate-e-volta para sabermos um pouquinho mais sobre você? Vamos lá:

  • uma música?
    Ariela: Roda Viva (Chico Buarque)
  • último livro que leu:
    Ariela: Sapiens: uma breve história da humanidade (Yuval Noah Harari). Ainda estou lendo… rsrs…
  • algo que te faz sorrir:
    Ariela: lembrar das pessoas que amo
  • último jogo que jogou:
    Ariela: Quartz

JM: Se quiser compartilhar mais alguma coisa, fique à vontade!

Ariela: Gostaria de agradecer pelo convite e pela oportunidade de falar um pouco sobre o nosso projeto. Além dos professores que integram nossa equipe (Mauricio Takano, Gustavo Iachel, Cassio Amador e Gabriel Baptistone), temos muitos estudantes que fazem tudo acontecer. Fico muito feliz em poder contar com uma grande equipe e espero conseguir representar o Brasil à altura dos nossos pesquisadores e estudantes. Aproveito a oportunidade para parabenizar a iniciativa do blog e espero também que eu consiga representar as mulheres que construíram e constroem essa comunidade de jogadoras. Sintam-se todas convidadas para participar do projeto e estarei à disposição para contribuir com vocês. Estamos planejando a elaboração de um questionário que, possivelmente, precisará de respostas de pessoas que costumam jogar jogos de tabuleiro. Assim que estiver pronto, divulgarei para vocês e ficarei muito feliz com a participação de todas. Tomara que eu consiga jogar mais para estar à altura de vocês!

Mais uma vez, muito obrigada pela conversa! 🙂

JM: O prazer é nosso!

Mulheres nos Jogos #10

Toda quarta-feira, a JogaMana celebra no Instagram mulheres que atuam em diversas frentes no mercado dos jogos de tabuleiro! Confira abaixo um compilado com a nona parte – nesta edição, apresentamos 3 designers sensacionais, cada uma de uma parte do mundo.

Se quiser ver quais mulheres já passaram por aqui nas compilações anteriores, basta clicar em cada edição: Primeira parte #1Segunda parte #2Terceira parte #3Quarta parte #4Quinta parte #5Sexta parte #6Sétima parte #7Oitava parte #8, Décima parte #10.